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Diário

2010-10-29 Uma America Latina feminina

Néstor Kirchner faleceu e, à parte os pêsames, bem pesados em sua contribuição para a política latino-americana, quem está lá é a Cristina; daí que é ela – e não ele! – a figura politicamente mais importante da Argentina hoje, apesar do que disse a Rede Globo…

A Globo disse que Néstor é mais importante que a Cristina logo após o debate maravilhosamente vencido por Dilma. E, detalhe, melhor debate dela na campanha!, apesar da manipulação das câmeras, incluindo as gordurinhas naturais da senhora, mas sem destaques para a brilhante careca do cavalheiro… natural para ele, diga-se de passagem. A Globo disse que quem mandava era Néstor e não foi a toa. Isso já passou dos limites!

E o Papa, carpideiro? Sabia que essa palavra só existe no feminino? “’Carpideira’: mulher a quem se paga para chorar os mortos”. Impressionante, hoje conheço mais carpideiros que carpideiras… E o Papa, carpideiro de um mundo que não aceita as mulheres, veio interferir (onde foi chamado, isso é importante!) contra as mulheres. Quer dizer que mulher vai, automaticamente, defender aborto, eutanásia? E os homens defendem o quê? Já leram as bulas papais? Nós somos deles ainda, sabiam? Romanus Pontifex de 8 de janeiro de 1454 diz para nos subjugar, invadir e tomar pela força. Do que, pelo princípio da infalibilidade papal, deduz-se ainda em validade.

Mas e os homens defendem o quê? É hora de por fim ao obscurantismo! Ninguém em sã consciência, exceto os cristãos do 3º Reich, defendem o aborto! A questão é deveras outra!

Mas tem algo aí, não? Quer dizer que mulher é mais humanista, tem princípios caridosos, é contra o obscurantismo e a Santa Inquisição! E os homens são pela tortura eterna? Como ser favorável a uma religião que prega a tortura eterna?

Mas, em tudo, por tudo, o que assusta é o machismo!

A América Latina hoje é feminina e faltará gênero ao seu gentílico, visto que não é pela masculinidade ou pela feminilidade que se liberta ou se compraz, mas tão-só por si mesma! E agora é a hora da liberdade!

E não faltam músicas: Todas as vozes, todas / Todas as mãos, todas…

http://www.youtube.com/watch?v=icrCSlBGkl0

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2010-09-27 A mídia de classe

Preciso declarar meu voto, lá vai, numa ordem para mim mais lógica que a da urna:

  • Presidente: Dilma (13);
  • Governador: Hélio Costa (15);
  • Senadores: Zito (650) e Pimentel (133);
  • Deputado Federal: Jô Moraes (6565);
  • Deputado Estadual: 65 (legenda do PC do B, pois estou apoiando mais de um candidato).

Declaro meu voto para não haver qualquer ilusão de que o que está escrito aqui é imparcial.

Isso deveriam ter feito a Globo, a Folha, o Estadão, a Veja, a Isto É e afins para que os factoides, as ilações (Guimarães Rosa traduz bem o termo: “Há, porém, que sou um mau contador, precipitando-me às ilações antes dos fatos” [1]) e as omissões tão frequentes nesses últimos dias pudessem ser lidos segundo uma baliza essencial: foram publicados por órgãos classistas, ou seja, por defensores dos interesses da classe dominante brasileira e internacional, que pouco ou nada têm a ganhar com a eleição de Dilma e com sua proposta de continuar avançando.

Ando pensando muito no contrassenso do Clube Militar promover reuniões em defesa da democracia e da liberdade de imprensa… E confesso estar muito preocupado com as razões raivosas e golpistas dessa associação entre a mídia de classe (ou PIG, como já é uso comum), o PSDB e os militares. Minha preocupação principal é a presença cada vez mais marcante desse último termo.

Daí exclamo: 1964 nunca mais! E passo adiante esse artigo de Leonardo Boff, publicado originalmente na Carta Maior (que declarou seu voto):

Por que a mídia comercial está em guerra contra Lula e Dilma? Por Leonardo Boff (*)

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factoide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogressista, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vêm Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a mídia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

(*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16986; também disponível em: http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/09/24/animos-se-acalmam-a-8-dias-da-eleicao/ (no segundo link, também há comentário de Ricardo Kotscho); também disponível em: http://virgulaimagem.redezero.org/por-que-a-midia-comercial-esta-em-guerra-contra-lula-e-dilma/ e também …

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2010-08-18 Isso só pode ser arte

Só pode ser arte, mas não é.
Só pode ser arte, mas não é.

Meu amigo blogueiro Fofão enviou o link Candidato posta vídeos 'picantes' no YouTube para fazer propaganda eleitoral, com o lacônico comentário: “Começou a criatividade… eu mereço…”

Com bom humor, fui ver os tais vídeos. O primeiro, Loira Sensual em Noite Secreta no Motel, chamou minha atenção pelo título planejado segundo os princípios SEO (Search Engine Optimization), de forma a coincidir com uma das buscas mais comuns no Google – “loira” e “motel”. Vi o vídeo e, diversamente dos demais espectadores que deixaram comentários irados, continuei achando graça, pois havia algo estranho, e não era a referência ao adultério – “Oi querido. Não, eu não estou sozinha. Estou com Jeferson Camillo!”

Fui ver o segundo, Negro e Loiro em Noite Secreta no Motel. O mesmo título com SEO, a mesma frase é dita, mas dessa vez, um casal homossexual. Daí não consegui mais parar de ver: Garota Revela seu Segredo no Motel – cujo segredo é óbvio desde o primeiro segundo; Loiro e Negro em Noite Secreta no Motel – isso mesmo, uma simples inversão do segundo vídeo; e por aí foi até Casal é Surpreendido em Banheira de Motel – que ganhou o seguinte comentário:

Se “algo novo” for um negão dividindo a banheira comigo num motel, morrerei votando nulo (rockmanbn).

Imediatamente pensei em Jeff Koons e numa possível apropriação da linguagem dele pelo movimento GLBTTTS, daí meu comentário:

Cara, isso só pode ser arte! É demais, muito legal como arte! Em outro contexto, talvez (aspas em cada palavra:), viria à baila o direito das minorias à auto-representação estética e política, o homoerotismo kitch e a estética GLBTTTS nas novas mídias e redes, e a forma guerrilheira/resistente como aborda o processo eleitoral e suas limitações intrínsecas em um país ainda marcado pelo preconceito de gênero etc.
Mas claro que não é nada disso, mas se fosse, o tal Camillo-artista seria fera mesmo; inclusive ao manipular o jornalista de forma que saísse no leading da matéria o jocoso “É um material provocativo desenvolvido com base em estudos sobre psicologia das massas”; que seria a etiqueta irônica característica da arte-política atual.

Se fosse arte, mereceria ir à Bienal! Trataria-se de hábil utilização de uma série de poéticas contemporâneas: 1º) um candidato fictício e uma campanha fictícia; 2º) vídeos que mimetizam perfeitamente um dos mais rentáveis braços da indústria cultural – com direito até a making of – , o pornográfico; 3º) um roteiro recursivo que reutiliza absurda, incansável e habilmente o mesmo cenário, o mesmo enredo, os mesmos personagens, a mesma música…

É uma pena não ser arte…

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2008-10-23

Meu candidato no segundo turno em BH.
Meu candidato no segundo turno em BH.

Depois de tantas campanhas apoiando candidatos do PT, acabei ganhando de um amigo a estrelhinha vermelha. Nunca a usei e não pretendia usá-la, guardei-a com carinho.

Depois de anos, pela primeira vez não votei no PT no primeiro turno das eleições municipais… Depois de anos, pela primeira vez não votarei no candidato da esquerda de Belo Horizonte. O motivo é simples: NÃO HÁ CANDIDATO DA ESQUERDA DE BELO HORIZONTE!

Não existe “menos pior” nessa eleição. Não sei como escolher entre um projeto nacional de direita e um boy aventureiro. Por um lado, não vou votar no candidato do Aécio, para fortalecê-lo como possível candidato do Lula. Por outro, a gente sabe no que boy aventureiro resulta…

Continuarei guardando a estrelhinha vermelha, mas agora ela terá uma marca: decepei-lhe o alfinete e a possibilidade, para fazer o botão de meu candidato: NINGUÉM.

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2008-08-01

Hoje recebi uma lista de em quem não votar.

Muita gente do PT, mais do que eu esperava… Como só voto no PCdoB e não havendo ninguém do partido na lista, devo então ignorar isso? Não!

Muitas das denúncias são só isso. Alguns foram absolvidos e outros nem sequer foram processados por falta de provas. Tenho um pouco de medo desse moralismo exagerado pois isso gera um clima de exceção: basta denunciar e o cara já é culpado e, mesmo absolvido, continua culpado.

Tem uma coisa terrível sobre a tortura no século XVI. Como ao ser denunciado você já era considerado parcialmente culpado, então podiam te torturar sem peso de consciência. A tortura já fazia parte da punição. De uma ou outra forma, mesmo que nada tivessem conseguido como prova de uma culpa maior, ao menos te puniram por ter sido suspeito.

O interessante dessa onda moralista é que, apesar da imensa maioria dos implicados ser da direita e/ou da oposição, ela sempre é usada para desacreditar o Governo. A caça à corrupção nunca foi tão a fundo quanto está indo hoje. Uma coisa que deveria ser positiva, vira negativa. A mídia coloca a questão como aumento de corrupção, enquanto, na verdade, se trata de um combate a ela. A corrupção é mais visível, não maior. Muito pelo contrário, ela está é diminuindo, já que este é o único governo na história brasileira que, como dizem, sangra a própria carne.

O caso da Ângela Guadagnin me preocupa: “Dançarina do Plenário da Câmara, comemorando absolvição de corrupto”. Se o cara foi absolvido, como pode ser corrupto? Qual instância, afinal, julga a culpa e a inocência? Será que ela não estaria comemorando a vitória da justiça e a comprovação da inocência de um inocente? Então, de falta decoro, só sobra a dança. Qual o problema de se dançar onde outros trocam socos, mandam a mãe àquele lugar etc? Concordo com o que ela disse, que se fosse bonita e gostosa todo mundo teria aplaudido.

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