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Diário

2010-11-01 Algo inédito houve hoje

Nem mais nem menos a falar: houve algo inédito hoje! Parabéns ao Brasil!

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2010-10-29 Uma America Latina feminina

Néstor Kirchner faleceu e, à parte os pêsames, bem pesados em sua contribuição para a política latino-americana, quem está lá é a Cristina; daí que é ela – e não ele! – a figura politicamente mais importante da Argentina hoje, apesar do que disse a Rede Globo…

A Globo disse que Néstor é mais importante que a Cristina logo após o debate maravilhosamente vencido por Dilma. E, detalhe, melhor debate dela na campanha!, apesar da manipulação das câmeras, incluindo as gordurinhas naturais da senhora, mas sem destaques para a brilhante careca do cavalheiro… natural para ele, diga-se de passagem. A Globo disse que quem mandava era Néstor e não foi a toa. Isso já passou dos limites!

E o Papa, carpideiro? Sabia que essa palavra só existe no feminino? “’Carpideira’: mulher a quem se paga para chorar os mortos”. Impressionante, hoje conheço mais carpideiros que carpideiras… E o Papa, carpideiro de um mundo que não aceita as mulheres, veio interferir (onde foi chamado, isso é importante!) contra as mulheres. Quer dizer que mulher vai, automaticamente, defender aborto, eutanásia? E os homens defendem o quê? Já leram as bulas papais? Nós somos deles ainda, sabiam? Romanus Pontifex de 8 de janeiro de 1454 diz para nos subjugar, invadir e tomar pela força. Do que, pelo princípio da infalibilidade papal, deduz-se ainda em validade.

Mas e os homens defendem o quê? É hora de por fim ao obscurantismo! Ninguém em sã consciência, exceto os cristãos do 3º Reich, defendem o aborto! A questão é deveras outra!

Mas tem algo aí, não? Quer dizer que mulher é mais humanista, tem princípios caridosos, é contra o obscurantismo e a Santa Inquisição! E os homens são pela tortura eterna? Como ser favorável a uma religião que prega a tortura eterna?

Mas, em tudo, por tudo, o que assusta é o machismo!

A América Latina hoje é feminina e faltará gênero ao seu gentílico, visto que não é pela masculinidade ou pela feminilidade que se liberta ou se compraz, mas tão-só por si mesma! E agora é a hora da liberdade!

E não faltam músicas: Todas as vozes, todas / Todas as mãos, todas…

http://www.youtube.com/watch?v=icrCSlBGkl0

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2010-09-27 A mídia de classe

Preciso declarar meu voto, lá vai, numa ordem para mim mais lógica que a da urna:

  • Presidente: Dilma (13);
  • Governador: Hélio Costa (15);
  • Senadores: Zito (650) e Pimentel (133);
  • Deputado Federal: Jô Moraes (6565);
  • Deputado Estadual: 65 (legenda do PC do B, pois estou apoiando mais de um candidato).

Declaro meu voto para não haver qualquer ilusão de que o que está escrito aqui é imparcial.

Isso deveriam ter feito a Globo, a Folha, o Estadão, a Veja, a Isto É e afins para que os factoides, as ilações (Guimarães Rosa traduz bem o termo: “Há, porém, que sou um mau contador, precipitando-me às ilações antes dos fatos” [1]) e as omissões tão frequentes nesses últimos dias pudessem ser lidos segundo uma baliza essencial: foram publicados por órgãos classistas, ou seja, por defensores dos interesses da classe dominante brasileira e internacional, que pouco ou nada têm a ganhar com a eleição de Dilma e com sua proposta de continuar avançando.

Ando pensando muito no contrassenso do Clube Militar promover reuniões em defesa da democracia e da liberdade de imprensa… E confesso estar muito preocupado com as razões raivosas e golpistas dessa associação entre a mídia de classe (ou PIG, como já é uso comum), o PSDB e os militares. Minha preocupação principal é a presença cada vez mais marcante desse último termo.

Daí exclamo: 1964 nunca mais! E passo adiante esse artigo de Leonardo Boff, publicado originalmente na Carta Maior (que declarou seu voto):

Por que a mídia comercial está em guerra contra Lula e Dilma? Por Leonardo Boff (*)

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factoide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogressista, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vêm Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a mídia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

(*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16986; também disponível em: http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/09/24/animos-se-acalmam-a-8-dias-da-eleicao/ (no segundo link, também há comentário de Ricardo Kotscho); também disponível em: http://virgulaimagem.redezero.org/por-que-a-midia-comercial-esta-em-guerra-contra-lula-e-dilma/ e também …

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