Diário de Bordo Mudanças Recentes helionunes.art.brTagsRSS RSS

Sobre o Diário

“Diário de bordo” como uma epopéia pessoal cheia de segredos revelados depois do naufrágio parece ser a idéia central para a escolha deste nome para uma ferramenta de pesquisa em artes visuais. Ele pressupõe cronologia, linearidade, indicações de direção, velocidade e localização, já que o acontecido está relacionado a uma trajetória. O diário narra o que aconteceu no caminho e, por isso, a noção de tempo é indissociável da de movimento.

Quando a nau se perde ou pára devido à calmaria, os fatos se deslocam para um tempo diferente daquele que define o movimento. É o tempo da espera e do medo, um tempo dilatado. A cronologia desaparece e, com ela, toda a coerência dos fatos. A narrativa dá lugar ao devaneio da sede, da fome e do motim.

Há em mim um Narciso que prefere o ar pomposo do enigma e que faz segredo de mim mesmo. Ele me impede conceber uma trajetória e me retira qualquer referencial de movimento. Quando reviso minha produção, o princípio da incerteza alcança proporções irremediáveis: sempre que um aspecto sobressai e motiva o estudo, foge, esconde-se e acaba suplantado por novas questões. Estou sempre mudando de idéia sobre mim mesmo. Estou amotinado.

O motim impôs a fragmentação do que transcrevo a seguir. Diante da impossibilidade de refazer uma trajetória, tudo o que pude fazer foi manter registro dos rumores. Numa nau à deriva, reina o silêncio dos boatos, das tramas e das tentativas de tomar o leme. Eles tangenciam minha produção e oferecem um testemunho, apesar de não darem respostas.

Registros

As formas que encontrei para registrar esses rumores dá a eles alguma organização, mas nunca um vetor. As origens do que está aqui transcrito são: