Sobre a palestra ministrada pelo Dr. Thomas Learner, cientista da conservação da Tate Gallery.
Capa de Crook&Learner. The Impact of Modern Paints. London: Tate, 2000.

Capa de CROOK&LEARNER, The Impact of Modern Paints. London: Tate, 2000.

Atenção: esta resenha não é sobre o livro, mas sim sobre a palestra ministrada pelo Dr. Learner na Escola de Belas Artes da UFMG, no dia 21 de outubro de 2003.

Numa triste demonstração de subestima aos artistas e cientistas da “periferia artística”, a preleção resumiu-se a explicar e demonstrar superficialmente como e por que tal ou qual artista utilizou esta ou aquela tinta específica em determinado trabalho.

Qualquer artista que tenha usado uma dessas tintas modernas saberá, sem muita dificuldade, explicar a razão desta ou daquela escolha de tinta para a obtenção de determinado efeito. Vocês acham novidade saber que Pollock usava tintas cujas consistência e secagem permitiam o efeito que é pecular aos seus drippings, mas que, em alguns casos, utilizava o óleo para obter efeitos texturais? É realmente de se espantar que, no início, os “pontinhos” de Lichtenstein foram feitos com óleo porque o gabarito que ele usava não funcionava direito com as acrílicas pelo seu alto poder adesivo? É realmente um achado perceber que Hockney utilizou as características de transparência das acrílicas para criar o efeito marcante da água no A Bigger Splash?

Detalhe de Hockney, A Bigger Splash, 1967, Tate Gallery

Detalhe de Hockney, A Bigger Splash, 1967, Tate Gallery.

É impossível saber o que o Dr. Learner achava: se nunca vimos ou estudamos os artistas que mencionou (algo difícil depois da magnífica exposição A Bigger Splash - Arte Britânica da Tate de 1960 a 2003, em São Paulo) ou se nunca pegamos em um pincel. Importa dizer o que esperávamos.

Por se tratar, em vários casos, de artistas ainda vivos, teria sido interessante focalizar parte da explanação nos relatos deles. Segundo os artistas, quais foram os impactos da adoção de tais tintas em suas obras? Até que ponto a tinta respondeu a anseios prévios de expressão ou até que ponto foram coresponsáveis pelo desenvolvimento de formas únicas de expressão pictórica?

Além disso, tais relatos são importantes do ponto de vista epistemológico. Cada vez mais os artistas vêm ganhando notoriedade ainda jovens e, por isso, tornam-se fontes importantíssimas para os restauradores. Teria sido interessante se o Dr. Thomas tivesse abordado quais os métodos utilizados ou pelo menos quais problemas surgiram ao confrontar os relatos com as obras.

Por outro lado, para os artistas presentes que utilizam tais tintas cotidianamente, informações sobre a durabilidade e sobre os problemas de conservação e restauração teriam sido bastante proveitosas.

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